sexta-feira, 10 de dezembro de 2010


Hoje deixo-vos mais um poema de Fernando Pessoa, através do seu heterónimo Alberto Caeiro, relacionado com a época e para nos encher o coração, no fim de semana.

Poema do Menino Jesus

Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu tudo era falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque nem era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E que nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!

Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o Sol
E desceu no primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar para o chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -
"Se é que ele as criou, do que duvido." -
"Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontado.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos dos muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam ?

Alberto Caeiro


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

THE SNOWMAN

Deixo-vos um vídeo lindíssimo, apropriado a esta época do ano, que nos convida a viajar ou apenas a sonhar...



Existe um livro com o mesmo nome, do ilustrador Raymond Briggs e editado pela Caminho ,onde a palavra não existe porque as imagens são universalmente legíveis, é um bom ponto de partida para qualquer actividade.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O NATAL VEM AÍ

Prepara-te

Posted by Picasa
NATAL

Mais uma vez, cá vimos
Festejar o teu novo nascimento,
Nós, que, parece, nos desiludimos
Do teu advento!
Cada vez o teu Reino é menos deste mundo!
Mas vimos, com as mãos cheias dos nossos pomos,
Festejar-te, ? do fundo
Da miséria que somos.
Os que à chegada
Te vimos esperar com palmas, frutos, hinos,
Somos ? não uma vez, mas cada ?
Teus assassinos.
À tua mesa nos sentamos:
Teu sangue e corpo é que nos mata a sede e a fome;
Mas por trinta moedas te entregamos;
E por temor, negamos o teu nome.
Sob escárnios e ultrajes,
Ao vulgo te exibimos, que te aclame;
Te rojamos nas lajes;
Te cravejamos numa cruz infame.
Depois, a mesma cruz, a erguemos,
Como um farol de salvação,
Sobre as cidades em que ferve extremos
A nossa corrupção.
Os que em leilão a arrematamos
Como sagrada peça única,
Somos os que jogamos,
Para comércio, a tua túnica.
Tais somos, os que, por costume,
Vimos, mais uma vez,
Aquecer-nos ao lume
Que do teu frio e solidão nos dês.
Como é que ainda tens a infinita paciência
De voltar, ? e te esqueces
De que a nossa indigência
Recusa Tudo que lhe ofereces?
Mas, se um ano tu deixas de nascer,
Se de vez se nos cala a tua voz,
Se enfim por nós desistes de morrer,
Jesus recém-nascido!, o que será de nós?!

José Régio

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terça-feira, 23 de novembro de 2010

PARA QUEM GOSTA DE BD

A Tapeçaria de Bayeux é uma obra feita em bordado (data do século XII). Foi feita em Inglaterra para comemorar os eventos da batalha de Hastings (14 de Outubro 1066) e o sucesso da conquista Normanda de Inglaterra, levada a cabo por Guilherme II, Duque da Normandia.
A disposição dos desenhos é invulgar para a época e faz com que a tapeçaria seja uma peça importante na História da Arte. Alguns historiadores conferem à tapeçaria de Bayeux o estatuto de percursor da banda desenhada.
Aqui temos uma versão animada desta tapeçaria.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

PALESTRA

Hoje realizou-se a inauguração da exposição de « Vasco da Gama e o Caminho Marítimo para a Índia», com uma palestra pelo Departamento de Ciências Sociais e Humanas.
A Drªa Iza Vieira, vestida com um belo sari, fez uma introdução ao tema explicando aos presentes a importância da Viagem à Índia, para Portugal e para a globalização, bem como o desenrolar da palestra.
Diversos professores, em seguida,abordaram as seguintes vertentes:
- Situação, clima, população e economia da Índia ( Grupo de Geografia) - Drª Isabel Oliveira
- Situação económica e social da Europa e de Portugal no tempo dos Descobrimentos ( Grupo de História do 2º ciclo)- Drª Manuela Ferreira
-As religiões da Índia antiga e actual ( Grupo de Religião e Moral) - Drª Elsa Lopes

Por fim os alunos puderam experimentar os sabores do Oriente, degustando um apetitoso e perfumado caril que foi um sucesso!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

ALMEIDA GARRETT


A Biblioteca Municipal Almeida Garrett ofereceu à Escola, em parceria com a Câmara Municipal do Porto, vários livros sobre Almeida Garrett, que poderás consultar e requisitar para os teus trabalhos sobre o autor.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

EXPOSIÇÃO NA BIBLIOTECA


EXPOSIÇÃO

VASCO DA GAMA E A DESCOBERTA DO CAMINHO MARÍTIMO PARA A ÍNDIA

PÚBLICO ALVO: 4º, 6º e 8º anos


A exposição consta de 22 painéis da autoria de M. Santos Alves, elaborados pela Comissão Nacional para as comemorações dos Descobrimentos Portugueses.


Convidam-se os professores e alunos, especialmente os do 8º e 6º ano para a inauguração, no dia
10 de Novembro, pelas 10 horas.
Os professores do Departamento de Ciências Sociais e Humanas farão palestras abordando diversos assuntos no âmbito deste tema.

Será servido um aperitivo de caril a todos os participantes.

Dinamizador

Departamento de Ciências Sociais e Humanas

sábado, 30 de outubro de 2010

HALLOWEEN

A origem do halloween remonta às tradições dos povos que habitaram a Gália e as ilhas da Grã-Bretanha entre os anos 600 a.C.e 800 d.C, embora com marcadas diferenças em relação às actuais abóboras ou da famosa frase "Gostosuras ou travessuras", exportada pelos Estados Unidos, que popularizaram a comemoração. Originalmente, o halloween não tinha relação com bruxas. Era um festival do calendário celta da Irlanda, o festival de Samhain, celebrado entre 30 de outubro e 2 de novembro e marcava o fim do verão(samhain significa literalmente "fim do verão").

Posto que, entre o pôr-do-sol do dia 31 de Outubro e 1° de Novembro, ocorria a noite sagrada (hallow evening, em inglês), acredita-se que assim se deu origem ao nome actual da festa: Hallow EveningHallowe'enHalloween. Rapidamente se conclui que o termo "Dia das bruxas" não é utilizado pelos povos de língua inglesa, sendo essa uma designação apenas dos povos de língua (oficial) portuguesa.

Outra hipótese é que a Igreja Católica tenha tentado eliminar a festa pagã do Samhain instituindo restrições na véspera do Dia de Todos os Santos. Este dia seria conhecido nos países de língua inglesa como All Hallows' Eve.

A relação da comemoração desta data com as bruxas propriamente ditas teria começado na Idade Média, no seguimento das perseguições incitadas por líderes políticos e religiosos, sendo conduzidos julgamentos pela Inquisição, com o intuito de condenar os homens ou mulheres que fossem considerados curandeiros e/ou pagãos. Todos os que fossem alvo de tal suspeita eram designados por bruxos ou bruxas, com elevado sentido negativo e pejorativo, devendo ser julgados pelo tribunal do Santo Ofício e, na maioria das vezes, queimados na fogueira, nos designados autos-de-fé.

Essa designação se perpetuou e a comemoração do halloween, levada até aos Estados Unidos pelos emigrantes irlandeses (povo de etnia e cultura celta) no século XIX, ficou assim conhecida como "dia das bruxas", uma lenda histórica.

As fantasias, enfeites e outros itens comercializados por ocasião dessa festa estão repletos de bruxas, gatos pretos, vampiros, fantasmas e monstros, no entanto isso não reflete a realidade pagã.
(tirado da wikipédia)

Seja como for, o Halloween está aí, aproveita e diverte-te, se for caso disso. :)

(desliga a música no mixpod lateral para apreciares o filme)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

IT'S A BOOK

Continuamos com a nossa campanha de incentivo à leitura.

Este vídeo é dedicado a todos os nossos alunos que procuram APENAS os nossos computadores e se esquecem dos seis mil e tal "amigos" que temos nas prateleiras...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

NOBEL DA LITERATURA 2010

Foi com surpresa que Mario Vargas Llosa recebeu a notícia que tinha sido ele o escolhido para Nobel da Literatura, este ano. "Não sabia que estava, sequer, entre os candidatos", afirmou.



Nascido em uma família de classe média, único filho de Ernesto Vargas Maldonado e Dora Llosa Ureta, seus pais separaram-se após cinco meses de casamento. Com isto não conheceu o pai até os dez anos de idade. A sua primeira infância foi em Cochabamba, na Bolívia, mas no período do governo José Luis Bustamante y Rivero, seu avô obtém um importante cargo político no governo, em Piura, no norte do Peru, e sua mãe retorna ao Peru, para viver naquela cidade.

Em 1946 muda-se para Lima e então conhece seu pai. Os pais reconciliam-se e, durante a sua adolescência, a família continuará vivendo ali.

Ao completar 14 anos, ingressa, por vontade paterna, no Colégio Militar Leôncio Prado, em La Perla, como aluno interno, ali permanecendo por dois anos. Essa experiência será o tema do seu primeiro livro - La ciudad y los perros.

Em 1953 é admitido na tradicional Universidad Nacional Mayor de San Marcos, em Lima, a mais antiga da América. Ali estudou Letras e Direito, contra a vontade de seu pai.

Aos 19 anos, casa-se com Julia Urquidi, irmã da mulher de seu tio materno, e passa a ter vários empregos para sobreviver: actua como redator mas também catalogando livros e até mesmo revendo nomes em túmulos nos cemitérios. Em 1958 recebe uma bolsa de estudos "Javier Prado" a vai para a Espanha, onde obtém o doutoramento em Filosofia e Letras, em 19, na Universidade Complutense de Madri. Após isso vai para a França, onde vive durante alguns anos. Em 1964 divorcia-se de Júlia e em 1965 casa-se com a prima Patrícia Llosa, com quem tem três filhos Álvaro, Gonzalo e Morgana.

A sua obra critica a hierarquia de castas sociais e raciais, vigente ainda hoje, segundo o escritor, no Peru e na América Latina. O seu principal tema é a luta pela liberdade individual na realidade opressiva do Peru. A princípio, assim como vários outros intelectuais de sua geração, Vargas Llosa sofreu a influência do existencialismo de Jean Paul Sartre.

Em 7 de outubro de 2010 foi agraciado com o Prêmio Nobel da Literatura pela Academia Sueca de Ciências por sua "por sua cartografia de estruturas de poder e suas imagens vigorosas sobre a resistência, revolta e derrota individual".

Retirado de:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mario_Vargas_Llosa

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A EUROPA NO MUNDO



Hoje divulgamos aqui um concurso muito interessante. Participa

Estás a frequentar entre o 1.º e o 12.º ano?

És criativo/a ou conheces alguém que o seja?

E estás interessado/a em ganhar prémios?

Então este concurso
“A EUROPA NO MUNDO” é para ti: sozinho, ou em equipa, com colegas, pais ou professores, cria um trabalho artístico, com a mensagem A Europa sou eu, isto é, como é que tu, Europa, te relacionas com o resto do mundo, e envia o teu trabalho em formato digital até dia 29 de Outubro 2010.

Usa a tua criatividade e originalidade e prova do que és capaz! Mostra as tuas capacidades em uma ou mais das categorias seguintes: Artes, Multimédia, Literatura e Web.

Os trabalhos finalistas serão expostos e premiados numa festa em Lisboa, no dia 27 de Novembro de 2010.

Não te esqueças que ao participar estás a aprender e ainda te habilitas a ganhar prémios fantásticos.

Consulta o regulamento para mais informações. (carrega aqui)
Atreve-te e Inscreve-te!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

DOCUMENTÁRIO

Não posso deixar de partilhar aqui, este belíssimo documentário sobre a importância dos contos na infância e juventude das nossas crianças.
Todos nós nos lembramos de uma tia, de uma avó, que nos contava histórias.
Na nossa memória podemos encontrar ainda ecos de fadas e princesas, de bruxas e de ogres que nos fizeram sonhar ou temer, mas que nos ajudaram a processar "o mundo" à nossa volta e a crescer.

O documentário é um pouco longo mas vale a pena.

E, como somos uma escola com espanhol no currículo, é uma forma de praticarem!


Documental con debate: ’Los cuentacuentos

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O PRIMEIRO REI DE PORTUGAL

Achei este vídeo tão bem feito e tão claro que não posso deixar de o partilhar convosco.
É uma forma divertida de aprender e tenho a certeza de que ´D. Afonso Henriques não será facilmente esquecido.


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

SUGESTÃO PARA O MÊS DE OUTUBRO

CONSTANTINO GUARDADOR DE VACAS E DE SONHOS


Pequeno labirinto de nomes e alcunhas

Tem doze anos, mas não deitou muito corpo para a idade. Ainda está a tempo. Um homem cresce até ao fim da vida, se não em altura, pelo menos em obras e ambições. E nisso promete.
Por voto do padrinho e assentimento dos pais, recebeu no registo o nome de Constantino. É um nome bonito, sim senhor. Na aldeia não há outro igual, e isso é bom, pensou a mãe; escusa uma pessoa de matar a cabeça como em certas casas em que os homens usam o mesmo nome e ninguém se entende. Na Chamboeira conheceu ela uma mulher, a Ti Pirralha, metida num inferno de portas adentro por causa de o marido, o filho e o neto se chamarem António.
Enquanto o rapaz foi pitorro, tudo correu bem. Um era o António Grande, o outro só António e o mais novo o António Pequeno, O rapaz porém, deitou muito corpo, e depressa, enquanto o avô continuou cartaxinho, cartaxinho e melindroso, pois começou a pôr-se de vidro fino quando a mulher lhe chamava Grande, vendo nisso uma artimanha dela para se vingar de certas desfeitas que lhe fazia quando bebia um copo a mais.
«Grandes são os burros», refilava então o velho, muito rezingão, com reumático nas cruzes, umas dores parvas como dentadas de lobo. Mas andou tudo raso naquele casal quando a Ti Pirralha o tratou por António Velho para chamar Novo ao neto, o que incendiou o marido, e de tal jeito que a mulher teve de se esconder três dias em casa duma vizinha.
«Velhos são os trapos!», gritava o António Pirralha chamando corja ao povo inteiro da sua aldeia – que não gostava muito dele, valha a verdade.
Foi isto mais ou menos o que a mãe do Constantino lembrou ao marido para defender o nome escolhido pelo compadre. Constantino era um nome bonito para rapaz.

Alves Redol, Constantino Guardador de Vacas e de Sonhos, Editorial Caminho, Lisboa, 20ª ed, 1990 (pela mão da Soledade)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A CIDADE DOS LIVROS

Bem vindo à nossa cidade - ao nosso mundo - dos livros.

É onde vivemos...



quinta-feira, 16 de setembro de 2010

terça-feira, 14 de setembro de 2010

COMEÇOU UM NOVO ANO

"POR DE TRÁS DE UM LIVRO HÁ SEMPRE ALGUÉM QUE QUER FALAR CONTIGO"

« Os livros sempre me maravilharam por me ser fácil desde miúda imaginar por de trás deles aqueles que os escrevem.
Começo por analisar um título e por tentar compreendê-lo. Consultando o Índice e o Prefácio percebo de que me quer falar o autor e como organizou o que pretende transmitir. Depois, folheio...
É então que começo a imaginar como é, como pensa, como sente e o que sabe sobre os assuntos que me interessam, aquele que escreve.
É assim que crio intimidade com a obra, como se lê-la fosse um diálogo entre mim e o autor.
Por de trás de um livro há sempre alguém especial que quer falar comigo e isso dá-me conforto.»

Zita Areal
VEM À BIBLIOTECA TEMOS "IMENSOS AMIGOS" NOVOS QUE QUEREM FALAR CONTIGO

sexta-feira, 25 de junho de 2010

FÉRIAS


As aulas chegaram ao fim, vais ter finalmente o merecido descanso.

Nós também já vestimos a camisa florida e calçamos as havaianas ao nosso "blog".

Gostas do novo visual?

Até Setembro suspendemos as notícias e deixamos-te estendido na praia, com os amigos ou a família, a passear de bicicleta por esses campos, a dar uns chutos na bola no campo de jogos, ou apenas a deambular pelo shoping ou no cinema.


BOAS FÉRIAS

quarta-feira, 16 de junho de 2010

FESTA DE FIM DE ANO

Amanhã é a festa da nossa escola.
Vamos repetir a venda nas "barraquinhas" de todas as turmas, com projectos elaborados pelos alunos com o Director de Turma.
A Biblioteca também participa com uma "barraquinha" com produtos muito variados.
Abre às 9 horas
NÃO TE ESQUEÇAS. APARECE. PARTICIPA!

BLOG SECRETO

Estreia no sapo o "Blog Secreto", uma série juvenil on-line, diária, com episódios de 2,5 minutos (aproximadamente).Fica aqui um episódio.



É um projecto low budget, feito com poucos meios e muito boa vontade.É uma espécie de diário de três adolescentes que, no início da história, não se conhecem, mas frequentam a mesma história. Os caminhos dos três cruzam-se quando uma partida de Hugo destinada a Sara, apanha Kaya.

Para veres outros episódios carrega AQUI

quarta-feira, 9 de junho de 2010

PROVÉRBIOS DE JUNHO


Chuva de Junho, mordedura de víbora.
Chuva de Junho, peçonha do mundo.
Chuva junhal, fome geral.
Chuva no S. João, bebe o vinho e come o pão.
Em Junho abafadiço fica a abelha no cortiço.
Em Junho dorme-se sobre o punho.
Em Junho, frio como punho.
Em Junho, perdigoto como punho.
Exame de Junho nem que seja como punho.
Feno alto ou baixo, em Junho é cegado.
Galinhas de S. João, no Natal ovos dão.
Guarda lenha para Abril, pão para Maio e o melhor tição para o S. João.
Junho abafadiço, sai a abelha do cortiço
Junho calmoso, ano formoso.
Junho chuvoso, ano perigoso.
Junho floreiro, paraíso verdadeiro.
Junho não dá nada; mata a fome com a cevada.
Junho quente, Julho ardente.
Junho, foice em punho.
Lavra pelo S. João e terás palha e pão.
Mês de Junho, foicinha em punho.
Para Junho guarda um toco e uma pinha, e a velha que o dizia guardados os tinha.
Pelo S. João a sardinha pinga no pão.
Pelo S. João deve o milho cobrir o chão.
Pintos de S. João pela Páscoa ovos dão.
Quem em Junho não descansa, enche a bolsa e farta a pança.
Sol de Junho amadura tudo.
Sol de Junho madruga muito.
Um bom madeiro pelo S. João há-de ter boa aceitação.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

TEATRO NA BIBLIOTECA

Ontem tivemos o prazer de receber na nossa Biblioteca os alunos da Escola Profissional Psico-Social, que nos trouxeram várias representações teatrais de sua autoria.


Representaram duas sessões da parte da manhã do « Fórum Teatro », abordando temas da juventude amor/indiferença, sexo/gravidez. Depois das representações os alunos foram convidados a debater o que tinham visto e a participar eles próprios numa segunda representação da história com fins diferentes.


Da parte da tarde as duas sessões apresentadas foram uma adaptação do « Romeu e Julieta».


Os alunos adoraram a experiência, participaram activamente e divertiram-se imenso.


Foi uma aprendizagem diferente já que, muitas das turmas que se deslocaram a assistir, são alunos da disciplina de teatro.



















terça-feira, 18 de maio de 2010

MAIO


Aqui ficam mais uns provérbios, desta vez relativos ao mês de Maio:

As favas, Maio as dá, Maio as leva.
Boa cepa, Maio a deita.
Em Maio queima-se a cereja ao borralho.
Em Maio, já a velha aquece o palácio.
Em Maio, nem à porta de casa saio.
Em princípio de Maio, corre o Lobo e o Veado.
Fiandeira não ficaste, pois em Maio não fiaste.
Guarda o melhor saio para Maio.
Maio couveiro não é vinhateiro.
Maio frio e Junho quente: bom pão, vinho valente.
Maio hortelão, muita palha e pouco grão.
Maio pardo e ventoso faz o ano formoso.
Quando Maio chegar, quem não arou tem de arar.
Quem em Abril não varre a eira e em Maio não rega a leira, anda todo o ano em canseira.
Quem em Maio não merenda, aos finados se encomenda.
Quem em Maio relva, não tem pão nem erva.
Tantos dias de geada terá Maio, quantos de nevoeiro teve Fevereiro.
Uma água de Maio e três de Abril valem por mil.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

PROVÉRBIOS DE ABRIL


Abril está quase no fim, despede-se de nós não com as águas mil do provérbio mas sim com um calor de Verão que nos faz apetecer a praia, o mar e férias...
Mas como ainda não acabou, aqui vos deixo os provérbios de Abril, um pouco atrasados por causa de tantas actividades boas que tivemos, este mês, aqui na Biblioteca.

Abril chuvoso, Maio ventoso e Junho amoroso, fazem um ano formoso

Abril frio e molhado, enche o celeiro e farta o gado.

Abril molhado, sete vezes trovejado

Abril, Abril, está cheio o covil.

Abril, águas mil

Abril, ora chora ora ri

As manhãs de Abril são boas de dormir

Em Abril a natureza ri

Em Abril queima a velha o carro e o carril.

Em Abril, cada pulga dá mil

Em Abril, de uma nódoa tira mil

Em Abril, lavra as altas, mesmo com água pelo machil.

Em Abril, vai onde deves ir, mas volta ao teu cuvil.

Frio de Abril, nas pedras vá ferir

Inverno de Março e seca de Abril, deixam o lavrador a pedir.

Não há mês mais irritado do que Abril zangado.

No princípio ou no fim, costuma Abril ser ruim.

Quando vem Março ventoso, Abril sai chuvoso.

Quem em Abril não varre a eira e em Maio não rega a leira, anda todo o ano em canseira.

Uma água de Maio e três de Abril valem por mil.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

25 de ABRIL


O 25 de Abril é no Domingo, motivo pelo qual a Biblioteca assinalou a data um pouco mais cedo. Depois da leitura do livro o Tesouro, de Manuel António Pina, que podes ler também se carregares no título, fizemos cravos que enfeitam agora o jardim. Aqui ficam outras sugestões.


Explicação do País de Abril

País de Abril é o sítio do poema.
Não fica nos terraços da saudade
não fica nas longas terras. Fica exactamente aqui
tão perto que parece longe.

Tem pinheiros e mar tem rios
tem muita gente e muita solidão
dias de festa que são dias tristes às avessas
é rua e sonho é dolorosa intimidade.

Não procurem nos livros que não vem nos livros
País de Abril fica no ventre das manhãs
fica na mágoa de o sabermos tão presente
que nos torna doentes sua ausência.

País de Abril é muito mais que pura geografia
é muito mais que estradas pontes monumentos
viaja-se por dentro e tem caminhos veias
- os carris infinitos dos comboios da vida.

País de Abril é uma saudade de vindima
é terra e sonho e melodia de ser terra e sonho
território de fruta no pomar das veias
onde operários erguem as cidades do poema.

Não procurem na História que não ven na História.
País de Abril fica no sol interior das uvas
fica à distância de um só gesto os ventos dizem
que basta apenas estender a mão.

País de Abril tem gente que não sabe ler
os avisos secretos do poema.
Por isso é que o poema aprende a voz dos ventos
para falar aos homens do País de Abril.

Mais aprende que o mundo é do tamanho
que os homens queiram que o mundo tenha:
o tamanho que os ventos dão aos homens
quando sopram à noite no País de Abril.

Manuel Alegre






Tanto Mar

Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo pra mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também que é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim

Chico Buarque



quarta-feira, 21 de abril de 2010

A UNIÃO EUROPEIA

Os alunos do 9º B, orientados pela Drª. Iza Vieira, apresentaram na Biblioteca um trabalho sobre a UNIÃO EUROPEIA, no âmbito da disciplina de Área de Projecto, dirigido aos alunos dos 9º e 4º anos.

Além dos alunos de diversas turmas, assistiram encarregados de educação e professores.

terça-feira, 20 de abril de 2010

ENCONTRO COM A ESCRITORA DRª ISABEL RAMALHETE

Terminamos a nossa SEMANA da LEITURA com o encontro com a escritora Drª Isabel Ramalhete.




Os alunos estavam entusiasmados com este encontro pois tinham lido os livros ou na integra ou excertos. Assim tinham imensas perguntas a colocar-lhe e fartaram-se de esticar o dedo no ar, na ânsia de serem os próximos a serem escolhidos. Pacientemente e de forma simpática e afável, a Drª Isabel Ramalhete respondeu pormenorizadamente a cada uma das questões.




Por fim, com a curiosidade saciada, os alunos ouviram pela voz da autora, uma das lendas do seu livro « Contos e Lendas de Portugal e do Mundo ».








Agradecemos a presença da autora e os alunos não perdoaram a sessão de autógrafos.




Obrigada Drª Isabel Ramalhete pela sua visita e por ter vindo, com a sua presença, enriquecer a cultura dos nossos alunos e as suas prespectivas de vida.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

LEITURA E DRAMATIZAÇÃO DE TEXTOS




A sessão de leitura e dramatização de textos do 3º ciclo esteve concorridíssima.


Na verdade a nossa Biblioteca quase que era pequena demais para albergar os alunos das 10 turmas que quiseram festejar a Semana da Leitura partilhando textos de diversos autores.

Ficam aqui as imagens alguns dos textos lidos.




A cigarra e a formiga
(Bocage)

Tendo a cigarra em cantigas
Folgado todo o Verão
Achou-se em penúria extrema
Na tormentosa estação.

Não lhe restando migalha
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga,
Que morava perto dela.

Rogou-lhe que lhe emprestasse,
Pois tinha riqueza e brilho,
Algum grão com que manter-se
Té voltar o aceso Estio.

«Amiga, diz a cigarra,
Prometo, à fé d’animal,
Pagar-vos antes d’Agosto
Os juros e o principal.»

A formiga nunca empresta,
Nunca dá, por isso junta.
«No Verão em que lidavas?»
À pedinte ela pergunta.

Responde a outra: «Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora.»
«Oh! bravo!», torna a formiga.
- Cantavas? Pois dança agora!»



Quando Eu For Pequeno

Quando eu for pequeno, mãe,
quero ouvir de novo a tua voz
na campânula de som dos meus dias
inquietos, apressados, fustigados pelo medo.
Subirás comigo as ruas íngremes
com a certeza dócil de que só o empedrado
e o cansaço da subida
me entregarão ao sossego do sono.

Quando eu for pequeno, mãe,
os teus olhos voltarão a ver
nem que seja o fio do destino
desenhado por uma estrela cadente
no cetim azul das tardes
sobre a baía dos veleiros imaginados.

Quando eu for pequeno, mãe,
nenhum de nós falará da morte,
a não ser para confirmarmos
que ela só vem quando a chamamos
e que os animais fazem um círculo
para sabermos de antemão que vai chegar.

Quando eu for pequeno, mãe,
trarei as papoilas e os búzios
para a tua mesa de tricotar encontros,
e então ficaremos debaixo de um alpendre
a ouvir uma banda a tocar
enquanto o pai ao longe nos acena,
lenço branco na mão com as iniciais bordadas,
anunciando que vai voltar porque eu sou
[pequeno
e a orfandade até nos olhos deixa marcas.

José Jorge Letria, in "O Livro Branco da Melancolia"





O Menino da Sua Mãe

No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado-
Duas, de lado a lado-,
Jaz morto, e arrefece.

Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.

Tão jovem! Que jovem era!
(agora que idade tem?)
Filho unico, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino de sua mãe.»

Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço… deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.

Lá longe, em casa, há a prece:
“Que volte cedo, e bem!”
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto e apodrece
O menino da sua mãe

Fernando Pessoa





Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

fernando Pessoa